Pular para o conteúdo principal

Umami, é disso que precisamos



   O corpo humano é a maior perfeição da natureza, possuindo vários mecanismos e funções que podem aparecer inacreditáveis. Uma dessas funções vitais e básicas – que serve desde quando bebês, para descobrirmos o mundo, até a fase adulta, para sentirmos os prazeres que ele nos oferece − são os cinco sentidos.
  O tato, o paladar, a visão, a audição e o olfato. São eles os responsáveis por quase tudo em nossas vidas. Com essa convicção instalada em mim, esses dias me veio um pensamento: com toda a exatidão dos sentidos no campo biológico, por que não aplicar nossos conhecimentos sobre eles à nossa vida e extrair disso algum aprendizado? Isso serviria para trazer novas experiências e reflexões a nossas mentes.
  Com essa pergunta comecei a analisar um por um, sentido por sentido e percebi que o  que mais se encaixaria na parte racional era o paladar e ele foi escolhido por uma pequena particularidade que poucos conhecem.
  O paladar é composto por cinco sabores básicos: amargo, ácido, salgado, doce e o umami − sim, isso mesmo − umami. O umami, por si só, não é de grande valia, mas a sua principal característica é realçar o gosto dos outros sabores, assim fazendo um gosto já conhecido por nossas papilas gustativas tornar-se mais marcante e com traços diferentes.
  Sendo assim, cheguei à conclusão de que é disso que precisamos: mais umami em nossas vidas, realçar os momentos, não fazer as coisas simplesmente por fazer. Ir atrás daquele abraço que tanto nos faz bem e manter-se abraçado por alguns segundos a mais do que o normal; parar com a correria do dia para ter um encontro agradável, sem muitos planos, com algum grande amigo verdadeiro e confidente. Deixar o ócio corriqueiro de lado e analisar o que caiu na rotina, perceber as modificações que devem acontecer e dar a devida atenção às coisas que são extremamente boas e importantes para nós, mas que, com a repetição diária, acabamos deixando, sem querer, entrar no campo das coisas comuns. Tornar melhores aqueles domingos sem graça com os familiares de casa e, ao invés de aturar sua presença, fazer-se presente a eles e criar novas maneiras de interação.
  Umami é transformar os detalhes sem graça em conteúdos incríveis, é fazer uma leitura dos momentos e perceber como são importantes mesmo que já conhecidos e frequentes, dando a eles novos ares. É perceber que a vida é passageira e que somos muito grandes de conteúdo e vontade para ficar sempre com a mesma percepção sem graça dos fatos.

  Como acredito que é sempre bom reavaliar as coisas e dar a devida importância aos momentos e acontecimentos, nada melhor que o umami para nos ajudar. É isso que eu quero para mim e desejo a vocês: umami.

Imagem por Pixabay

Comentários

  1. Adorei o seu texto, Raphael! Não sabia muito sobre o umami e confesso que não tinha os relacionado inicialmente. Foi ótima a abordagem que você fez entre ambos. Parabéns! E, muito obrigada pela indicação. Sucesso!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Um maço de cigarros, uma geladeira e meu coração

  Certa vez, quando eu estava no ensino médio, uma professora da qual eu não gosto deixou escapar algo útil da sua boca. Ela contou uma anedota em que seu pai, que era viciado em cigarro havia muitos anos, decidiu parar de fumar. Disse que ele se esforçou bastante até conseguir, só que, mesmo depois de vencido o vicio, ele ainda tinha um hábito que intrigava.   O hábito dele era sempre comprar um maço de cigarros para deixá-lo em cima da geladeira, lugar em que sempre costumava guardar seus cigarros, mas fazia isso mesmo depois de anos de largado o vício e sabendo que não fumaria de novo. Fiquei pensando muito nisso na época e vale ressaltar que a dita professora só estava contando aquilo para gente porque, naquele dia, finalmente, seu pai jogou o maço fora e não comprou mais nenhum para repor o lugar vazio.   Algumas situações que passamos na vida nos fazem lembrar de histórias aleatórias com uma resposta para elas. Até o fim do meu ensino médio nunca chegamos ...

Da esperança

  Há coisas que são carregadas por muito tempo na mente das pessoas e seu inicio é desconhecido ou incerto. Sempre escutei o ditado que certamente você já ouviu: “A esperança é a última que morre.” Pois bem, sempre quando escuto isso, percebo no interlocutor um ar de satisfação e ex pectativa , mas aqui deixo a pergunta: de que lugar tiraram que a esperança é boa?   Começo explicando: a esperança é algo incerto e o fato é que ela só existe na nossa cabeça.   Ter esperança é tomar um opiáceo, pois ela está naquilo que ainda não nos pertence e, para reprimir a angústia, nos enchemos dela e criamos uma dimensão perfeita de como queríamos que fosse regido nosso dia a dia. Também sabemos que, quando não alcançada essa vontade, a frustração só aumenta e, em um cálculo diretamente proporcional, a esperança cresce junto e é ai que mora a maior covardia desse fenômeno: o resultado é a ilusão.   O combustível da ilusão é a esperança e sabemos que ela só nos leva p...

Felicidade é uma viagem, não um destino.

Por muito tempo, eu pensei que a minha vida fosse se tornar uma vida de verdade. Mas sempre havia um obstáculo no caminho, algo a ser ultrapassado antes de co meçar a viver, um trabalho não terminado, uma conta a ser paga. aí sim, a vida de verdade começaria. Por fim, cheguei à conclusão de que esses obstáculos eram a minha vida de verdade. Essa perspectiva tem me ajudado a ver que não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho! Assim, aproveite todos os momentos que você tem. E aproveite-os mais se você tem alguém especial para compartilhar, especial o suficiente para passar seu tempo; e lembre-se que o tempo não espera ninguém. Portanto, pare de esperar até que você termine a faculdade; até que você volte para a faculdade; até que você perca 5 kg; até que você ganhe 5 kg; até que seus filhos tenham saído de casa; até que você se case; até que você se divorcie; até sexta à noite até segunda de manhã; até que você tenha comprado um carro ou uma casa no...