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Da esperança



  Há coisas que são carregadas por muito tempo na mente das pessoas e seu inicio é desconhecido ou incerto. Sempre escutei o ditado que certamente você já ouviu: “A esperança é a última que morre.” Pois bem, sempre quando escuto isso, percebo no interlocutor um ar de satisfação e expectativa, mas aqui deixo a pergunta: de que lugar tiraram que a esperança é boa?
  Começo explicando: a esperança é algo incerto e o fato é que ela só existe na nossa cabeça.
  Ter esperança é tomar um opiáceo, pois ela está naquilo que ainda não nos pertence e, para reprimir a angústia, nos enchemos dela e criamos uma dimensão perfeita de como queríamos que fosse regido nosso dia a dia. Também sabemos que, quando não alcançada essa vontade, a frustração só aumenta e, em um cálculo diretamente proporcional, a esperança cresce junto e é ai que mora a maior covardia desse fenômeno: o resultado é a ilusão.
  O combustível da ilusão é a esperança e sabemos que ela só nos leva para trás, porque é devaneio, engana nossos sentidos e fixa-se naquilo que não vamos alcançar.
  Ter ilusão é sofrer e, com a esperança, é a certeza que vai continuar alimentando o sofrimento. Não penso que toda esperança é um erro; quando inspiramos esse estado de espírito nas coisas que só dependem de nós, isso não é um absurdo, pois a conquista só depende do nosso esforço e da nossa vontade. Agora, aquilo em que nunca devemos, em hipótese alguma, criar esperança é nas outras pessoas, porque elas são voláteis e, quase sempre, não correspondem aos nossos planos e desejos, gerando todo um ciclo de ilusão e esperança novamente. Lembrando: esse caminho é longo, doloroso e, no final, nos vemos corroídos e sem paz.
  Acho que devemos prestar mais atenção nessa situação, não é porque um pensamento é infiltrado na sociedade há muito tempo e tornou-se parte da cultura popular que, necessariamente, é algo bom a se cultivar.

  Não fomos feitos para sofrer, então nada melhor que arrancar o mau que cerca nossa vida e, junto com ele, a esperança, porque assim sobra a certeza de que esse mau não voltará para nossa mente e, com isso, podemos ficar satisfeitos, e o principal: podemos ficar em paz.

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