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Humanas sobre exatas




  Desde o surgimento dos primeiros nômades até a civilização que conhecemos hoje, houve grandes revoluções e muitos avanços e, apesar de não parecer, todos têm algo em comum, um fio que corre de ponta a ponta interligando todos eles, que é a ciência.
  A ciência é dividida em três grandes áreas, sendo que duas delas é alvo de grandes discussões. A primeira são as ciências humanas, responsáveis por desvendar as complexidades da sociedade humana; a outra são as ciências exatas, que por sua vez avaliam expressões, predições e métodos para testar hipóteses e experimentos. No entanto, mesmo utilizando ferramentas muito distintas e uma não se assemelhando com a outra, vários conceitos podem ser trocados e aplicados de uma forma diferente em nossas vidas.
  Na química, por exemplo, existe um princípio que pode ajudar muito o nosso pensamento filosófico. Esse principio é o de Le Chatelier, cuja definição é a seguinte: “ Quando uma força externa atua em um sistema em equilíbrio, ele tende a anular o efeito externo”. Essa definição nada mais é do que a explicação de alguns fatos em nossas vidas.
  No momento em que temos uma rotina estabelecida e algo repentino aparece para nos afrontar, nossa primeira reação é a negação, como no princípio químico “anular o efeito externo”. Quando observamos ou nos é imposto a necessidade de fazer uma dieta ou exercícios físicos, também criar uma rotina de estudos, ler ou qualquer coisa de cuja dificuldade prática temos consciência,  nós negamos a princípio, para depois, quem sabe, tomarmos a coragem de fazer.
  Um grande erro do ser humano é ter medo do novo e não estar com a mente aberta para mudar. Esse medo é explicável, pois mexe com a nossa zona de conforto, mas, sem grandes atitudes, não conseguimos grandes conquistas. Lembrando que a zona de conforto é um lugar o qual sempre devemos quebrar para atingir o nosso crescimento pessoal.
  As exatas, com suas leis e princípios, nos mostram caminhos que devemos ou não traçar; é só ter a paciência para avaliá-los em nossa rotina. Não seja como “Le Chatelier” e mantenha-se disposto a mudanças.

  Neste caso, nós somos o sistema e, se a força externa for boa, não devemos tentar anulá-la, mas sim acolhê-la da melhor forma possível. Será desafiador, é verdade, mas garanto que seus benefícios irão valer a pena.  Pense nisso e lembre-se de tentar refletir sobre os conceitos da ciência e contrapor as exatas e as humanas. 

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